Manifesto contra a Intolerância

Normalmente não me incomodo com baboseiras sobre nacionalidade, naturalidade, etc. Mas, logo após o primeiro turno das eleições presidenciais, ví o quanto a intolerância está enrraigada no seio do nosso povo.

Logo nós, que somos considerados por outros povos como acolhedores, receptivos, simpáticos e tudo o mais.

Nasceu instantaneamente uma nova categoria de “revoltados”, a grande maioria proveniente das chamadas “redes socias”, lógico. Onde todos se sentem donos da verdade. Do alto de seus teclados, virtuais ou não. Todos sentados em frente aos seus computadores ou com seus “dispositivos móveis”.

De certa forma, vimos um povo engajado, respirando política, certo?

Errado!

O que vi, e aqui estou falando da minha pessoa, foi um monte de gente compartilhando informações sem antes checar a veracidade, postando xingamentos e muitas vezes palavras de baixo calão, contra candidatos e/ou contra simpatizantes desse ou daquele partido, dessa ou daquela corrente politica. Um monte de intolerância. Infelizmente.

Alguns poucos, com mais discernimento, com conhecimento de causa, com coerência, falando de suas preferências e posições politicas, debatendo o bom debate.

Educadamente, democraticamente, sem sair da linha. Isso foi positivo. Muito positivo.

Depois, ao final do segundo turno, ví a pior parte. Um monte de gente, aparentemente sem saber o que estava falando, xingava, denegria, escrutinava o povo nordestino, atribuindo à eles a culpa e a responsabilidade pelo destino de todo um povo, de um pais!

Mais provas de pura intolerância!

Primeiro, sou Brasileiro, Nordestino!

Nascido e criado no Nordeste, até os 16 anos de idade.

Construí toda a minha vida adulta em São Paulo, Região Sudeste do Brasil. Paulistano de coração, corpo e alma.

Brasileiro!

Sou um Paulistano de 29 anos de idade. Chequei aqui nessa cidade em Janeiro de 1986. Amo essa cidade. Mais do que a cidade aonde nasci.

Como um Paulistano de 29 anos de idade, construi e consegui muitas coisas, muito mais do que muitos Paulistanos com a mesma idade e até mais velhos do que eu. Os fatores que me levaram a cosntruir o que cosntrui aqui, listei abaixo:

  • Honestidade
  • Integridade
  • Humildade
  • Paciência
  • Tolerância
  • Compreensão
  • Perdão
  • Muito estudo e preparação
  • Trabalho árduo. Muito trabalho e esforço

Nenhum dos atributos acima estão ligados à minha nacionalidade ou naturalidade.

O que me diferencia dos milhares de imigrantes Italianos, Alemães, Poloneses, Coreanos, Chineses, Portugueses, Japoneses, que vieram para cá, construir suas vidas, historias, etc?

Nada além dos atributos listados acima!

Os atributos acima, me foram, todos eles, ensinados pela minha Mãe, desde a minha mais tenra infância.

Uma mulher fantástica!

Brasileira. Nordestina. Analfabeta.

No que isso a diferencia das mães dos imigrantes listados acima?

Absolutamente nada.

Com ela aprendí, que independente de estudar ou não, de onde estudo ou nascí, aonde vivo ou vou viver, existem valores, crenças fundamentais que tenho que levar comigo, que fazem ser quem sou, que fazem parte da minha essência, meu ser. Ela não preciosu frequentar escola, ou nascer no Sul, Sudeste do Brasil ou em outro país para me ensinar isso.

Depois, uma outra turma começou a se manifestar falando que vai sair do pais.

Tipo…”Não gostei. Vou embora!

Você é do tipo que acha que a escola é quem é responsável pelas notas ruins do seu filho?

Acha que o governo, a sociedade, são os responsáveis pelo uso cada vez mais intenso de drogas pelos adolecentes?

É do tipo que tem pais, avós, já velhos e doentes e os coloca num asilo para terminarem seus dias e não te encherem o saco e vai visitá-los uma vez por mês, por obrigação?

Ok. Por favor, saia desse pais!

Sim, porque nosso país está muito doente!

Nosso país está com diversos tipos de câncer terminal!

Está tomado por diversas doenças degenerativas que o vão matando aos pouquinhos, todos os dias!

Corrupção, má fé, desonestidade, falta de integridade, perda dos valores morais que são a espinha dorsal de qualquer sociedade

Precisando de ajuda. De gente que ainda acredita nas coisas boas e corretas.

De gente que quer deixar algum legado para os seus fihos, para as próximas gerações.

De gente que ainda acredita na honestidade, nas coisa que parecem piegas, mesmo que todos a sua volta estejam rindo.

De gente que acredita que uma ação, um pequeno gesto, pode fazer a diferença. Independente dos que estão à sua volta, estão falando ou fazendo.

Você acha que corrupção é algo que se tornou insuportável em nosso pais?

Pense no quanto você é corruptor no seu dia a dia. Sim, as pequenas coisas contam tambem. Pense em como vai fazer a sua declaração de IR no próximo ano.

Você acha um absurdo o trânsito nas prinicpais avenidas de sua cidade?

Pense e repense suas próprias atitudes no trânsito.

Acha que emprego tá dificil?

Já pensou em olhar, analisar quais são as principais competências que o mercado está buscando?

Quais são os diferenciais em sua área de atuação?

Quantos livros relacionadois à sua área de atuação você lê por ano?

Quantos cursos/treinamentos referentes à sua área de atuação você faz por ano?

Acha que sua cidade está muito suja?

Faz a sua parte, não jogando lixo na rua?

Separa o lixo orgânico do reciclável?

Acha as ruas da sua cidade muito violentas, excludentes?

Como você reage quando algum pedinte ou vendedor te aborda no semaforo?

Vive com medo, acredita no ser humano ou simplesmente tem pavor de tudo aquilo que esteja fora do seu “mundinho”?

Nosso pais precisa de você, de mim, de todos que queiram contribuir para construir uma sociedade melhor, mais integra, mais madura.

Independente da sua nacionalidade, da cidade ou do estado onde você nasceu.

Independente da cor da sua pele, olhos, cabelos, etc.

Precisamos de pessoas que ainda acreditem que as coisas boas e corretas valem a pena.

Precisamos de pessoas que estejam dispostas a pagar o preço por terem os atributos listados acima, independente do que os outros estejam falando.

Podem ser do Nordeste, do Sudeste, do Norte, do Sul ou do Centro-oeste. Não importa. Precisam querer lutar pelo futuro do nosso pais, consequentemente dos nossos filhos, de toda uma geração.

Ok. Eu sei. É um desabafo. Algo muito pessoal.

Abraços e até o próximo post.

Paulo Cesar do Nascimento.