Aprendendo a aprender

Aprender… e aprender, ou aprender a aprender?

Tenho refletido bastante sobre nossos processos de aprendizado. O que aprendemos, como aprendemos, como utilizamos nossas experiências cotidianas e o ambiente ao nosso redor para aprender.

Vemos técnicas, procedimentos para gerenciamento de contéudo corporativo, gerenciamento do conhecimento corporativo, etc.

Mas e sobre o “gerenciamento” do nosso conhecimento?

E sobre o gerenciamento do nosso processo de aprendizado, de reciclagem?

Geralmente o ser humano comum, é compelido a aprender coisas novas, adquirir novas habilidades, em momentos de ruptura, de dificuldades. Somente nos momentos em que se é desafiado é que se toma as ações necessárias para mudar a situação ou o contexto atual.

Quando crianças, aprendemos a maioria das coisas observando as pessoas à nossa volta, os costumes, as atitudes, os “procedimentos”, os “processos”, etc. Quando “crescemos”, literalmente “formatam” o nosso modelo de aprendizado e a partir daí, qualquer coisa que esteja fora desse formato, é considerado fora do “padrão” ou fora do normal. Na verdade, no discurso, ouvimos muito sobre “pensar for a da caixa”, mas na verdade, pensar fora da caixa, não é algo muito incentivado, nem dentro das empresas, nem nas comunidades, nem pelos pais.

Na verdade, muitas vezes “falamos” que queremos pessoas pensando “fora da caixa” mas se prestarmos atenção, estamos sempre incentivando as pessoas a pensarem muito mais fora da “caixa” delas e muito mais dentro da “caixa dos padrões” que adotamos, que aprendemos, etc.

Temos um cenário onde quem precisa de informação, não quer mais nem saber de fazer pesquisa, basta fazer uma “busca” no Google e pronto. A maioria não se preocupa nem mesmo em validar a informação, a fonte, comparar com outras fontes, etc.

Google » Search » Copy » Paste » Done!!

Do lado dos educadores, me parece que temos muitos professores, mestres, doutores pregando a mesma coisa de 30, 40 anos atrás. Não se recicla o conteúdo, não se recicla a forma, não se recicla o método. Completei minha graduação em Matemática no ano de 1994 e lembro bem de ter questionado a um dos meus professores, qual a aplicação pratica, no meu cotidiano, das derivadas ou mesmo de integral tripla. A explicação foi mais ou menos assim:

“Você pode utilizar derivada para calcular a melhor distância entre dois carros no trânsito, por exemplo!”

No que de respondi: “Professor, isso o Detran já me dá pronto e aliás, sou obrigado a utilizar, por força da lei!“.

Fui repreendido!

Isso foi a 20 anos e vejo que provavelmente, nos cursos de exatas, os alunos continuam a receber como ensinamentos, as mesmas matérias. Não estou dizendo com isso que sou dono da verdade ou que temos que simplesmente eliminar essas matérias dos cursos de exatas, mas sim, que podemos rever a forma como ensinamos com novas aplicabilidades, de forma que possamos atrair e reter o consumidor dessa informação, que é o aluno. Certamente isso não ocorre somente nos cursos de exatas.

Além de querermos impor aos estudantes, conteúdos ou materias que precisariam no minimo ser contextualizadas, ainda o fazemos sem o uso adequado da tecnologia, que se utilizada de maneira correta, pode efetivamente tornar a matéria /assunto mais atraente e engajar o aluno. Devemos lembrar que o triangulo de pascal, não foi criado para ser aplicado em provas, mas sim, para ajudar as freiras do convento onde Pascal terminou os seus dias a ecnomizar couro, material utilizado por elas para confecção de bolsas e sapatos, ou seja, para aplicação prática.

Além de contextualizar, porque não utilizar as várias ferramentas gratuitas no contexto da educação, para compartilhar conteúdo, para incentivar a criação de fóruns de discussão entre os alunos, para mostrar como utilizar as ferramentas de buscas de maneira inteligente e para buscar conteúdo relevante?

Porque não inserir na rotina dos alunos buscas no Khan Academy, Youtube Education, Fundação Lehman, utilizar ferramentas de nuvem para armazenar e compartilhar conteúdo de maneira otimizada e inteligente?

Não estou falando de redes sociais, mas de ferramentas que podem efetivamente tornar o ato de estudar mais atraente para o aluno.

Vejo que algumas escolas até incentivam a utilização desses recursos por parte do aluno, mas o que estou sugerindo aqui e inserir a utilização dessas ferramentas na rotina diária do professor, durante as aulas.

Obvio que para isso se faz necessário uma reciclagem no modelo de ensino, no treinamento e preparação dos professores, mudança de hábitos, adaptação, etc.

Acredito que talvez o primeiro passo a ser dado, é buscar gradativamente mudar pelo menos a plataforma de ensino, de analógica pra digital, sem rupturas. Dessa forma, obrigatoriamente as adaptações e mudanças de hábito ocorrerão e novas mudanças poderão ser inseridas aos poucos, sem causar danos e transtornos nem para os alunos nem para os professores.

É importante que o professor entenda que ele continuará sendo o Mestre, que o seu conhecimento, continuará sendo soberano, o que acho que tem que acontecer é simplesmente mudar a forma de passar esse conteúdo, esse conhecimento. Acredito que seria muito bom que os professores ouvissem/lessem um pouco sobre as propostas revolucionárias do empresário Ricardo Semler. Ouvir as propostas, sem pré-julgamento, sem rótulos, com objetivo de extrair delas coisas boas e que auxiliem nessa mudança que a meu ver é absolutamente necessária, para que possamos ter efetivamente um engajamento dos alunos no processo de aprendizado.

Um abraço e até o próximo post.