Para tempos de crise: Resiliência!

Física – Resiliência ou resiliência é um conceito oriundo da física, que se refere à propriedade de que são dotados alguns sub-materiais, de acumular energia, quando exigidos ou submetidos a estresse sem ocorrer ruptura. Após a tensão cessar poderá ou não haver uma deformação residual causada pela histerese do material – como um elástico ou uma vara de salto em altura, que verga-se até um certo limite sem se quebrar e depois retorna à forma original dissipando a energia acumulada e lançando o atleta para o alto.

Psicologia – A resiliência é um aspecto psicológico, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse etc. – sem entrar em surto psicológico.

Resiliência

É um termo que o mundo corporativo, ou seja, os gurus de negócios, pegaram emprestado da física e da psicologia para definir aqueles profissionais que tem a capacidade de suportar alta pressão, de suportar adversidades no ambiente corporativo e no mercado, sem entrar em parafuso (se abalar física e/ou emocionalmente) e melhor ainda, sem colocar o time ou as equipes que trabalham juntos, em parafuso. Descrevendo assim, parece ser algo plausível para alguns poucos seres humanos, os iluminados. Certo?

Existem diversos artigos muito bem escritos na Internet sobre o tema, abordando-o do ponto de vista psicológico, da Física, Biologia, Administração e assim por diante. Não pretendo aqui de maneira alguma, competir com esses textos escritos, a maioria deles por profissionais especializados, com formação específica, etc. Estou trazendo o tema a tona em função do ambiente em que vivemos atualmente, que parece uma permanente panela de pressão em ebulição, sempre prestes a explodir.

Durante períodos de crise, é comum surgirem os “tiranos” nos escritórios. Aqueles profissionais que, seja cumprindo ordens, seja por perfil, gostam de infernizar a vida dos outros no ambiente de trabalho. Seja cobrando de maneira desmedida, seja falando com ironia, seja sendo sarcástico, seja falando de maneira inadequada, esses profissionais costumam tornar a vida dos outros, um verdadeiro inferno. Alguns profissionais, tem a capacidade de absorver essas demandas, protegendo o time e procurando não se deixar abalar ou ser afetado por isso.

Os profissionais que tem a capacidade, de suportar esse tipo de adversidade, seja durante os períodos de crise, seja no dia a dia, geralmente trabalham muito bem, diversas outras características de liderança, tais como:

Paciência, tolerância, compreensão, perdão, fé e por fim, sabedoria.

Para atingir esse nível de maturidade, muito mais do que experiência, requer muito autoconhecimento, estudo, um aprendizado constante com os próprios erros e uma observação constante do que acontece a sua volta. Requer altos níveis de flexibilidade e adaptação ao ambiente em que se trabalha e porque não, se vive. A maioria das pessoas não consegue conviver muito bem com isso, e aí, os níveis de stress vão para a estratosfera, causando sérios problemas de saúde, relacionamentos e frustração.

Mas, em momentos de crise como o que estamos vivendo, faz-se necessário mais e mais, o desenvolvimento e a prática dessa habilidade/característica. Em momentos como esse é que vemos “aflorar” a tirania no ambiente de trabalho e o clima de terror geralmente se instaura. Vê-se pelos corredores das empresas, pessoas tensas, com a sensação constante de que vão ser demitidas, olhando as notícias ruins na mídia e apavoradas por essa sensação de medo/stress constante. É exatamente nesse tipo de cenário que se sobressaem as pessoas que tem autocontrole e autoconhecimento, que conseguem fazer uma análise menos alarmante da situação, que conseguem manter o otimismo olhando a situação como um todo, buscando as oportunidades que ela traz, e sempre traz, ao invés de olhar para as limitações.

O desenvolvimento de características como a resiliência, conforme citado acima, requer também o conhecimento/pratica de diversas outras habilidades. Mas, obviamente, devemos começar por uma. Pode ser aquela com a qual mais nos identificamos. Minha sugestão: Comece praticando a GRATIDÃO, diariamente.

Agradecer diariamente pelo que somos, temos, pela família, trabalho, vida, etc., começa a ficar mais fácil perdoar. Muitas vezes o exercício do PERDÃO é para nós mesmos, porque estamos habituados a nos culpar, porque foi assim que aprendemos, foi assim que fomos criados.

Quando aprendemos a perdoar, tanto a nós quanto aos outros, começamos a falar de responsabilidade ao invés de culpa e, acredite, a diferença é brutal. Quando se começa a praticar gratidão e perdão, sentimentos que parecem triviais e tão simples, mas não são, começamos a criara uma “camada”, uma “segunda pele” de proteção contra o negativismo, contra o pessimismo e consequentemente, contra a tirania. Com essas práticas, fica mais fácil ser flexível, envergar com a pressão e depois voltar ao estado natural e não se deixar levar e nem vencer pelas interpéries.

Vejo pessoas criticando a psicologia positiva, mas a meu ver ela é infinitamente melhor do que a psicologia do negativismo, que vê tudo com pessimismo, que traz desmotivação, e essas, definitivamente, não são características que vão ajudar ninguém a se tornar resiliente. Lembre-se que os jornais vivem de lhe “vender” notícias e não para lhe trazer informações. Cada telejornal dá a notícia do jeito que lhe convém, da forma que chame mais a atenção, como entretenimento. Claro, que existem jornais, programas de TV e revistas sérios, mas são raros e até por essa razão, não são os mais populares.

A resiliência quando desenvolvida, é aplicada na verdade em todas as áreas da vida, pois te dá a consciência, a compreensão e a flexibilidade necessárias para lidar com situações cotidianas e não só com situações do trabalho.

Faça regularmente uma autoanalise, pratique o autoconhecimento, procure sempre melhorar seus conhecimentos e habilidades. Isso te dará auto-confiança, melhora a auto-estima e te deixa menos vulnerável aos tiranos.

Segundo Darwin, quem vence não é o mais forte, nem o mais inteligente, mas sim o que melhor se adapta. Acredito que essa descrição se encaixa muito bem no contexto descrito acima.

Abraços e até o próximo post.